Vereadores se rebelam e ameaçam formar "blocão"

O esvaziamento da última reunião da Câmara Municipal antes das eleições deste ano, promovido pela maioria dos vereadores, na terça-feira (30), indica uma perda de controle da base aliada pelo prefeito.

A reunião serviria para aprovar projetos importantes para o Executivo Municipal e pelos quais o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) teria interesse direto. Porém, pela primeira vez desde o rompimento entre o prefeito e seu vice, Waldir Teixeira (PV), no início deste ano, um grupo de parlamentares deixou clara a insatisfação com a relação que hoje existe entre a prefeitura e os parlamentares.

A movimentação coloca em xeque também a liderança do presidente da Casa, Marcão Universal (PSDB). Ele chegou a prometer ao prefeito que conseguiria aprovar os projetos de interesses do Executivo, mas, diferentemente do que estava conseguindo nas últimas sessões, ele não manteve a base unificada.

Os parlamentares fazem questão de frisar que não se trata de uma rebelião contra ninguém, mas de um movimento de independência.

“Estamos fazendo isso por Betim. Vamos analisar, a partir de agora, as propostas para a cidade, e, se forem benéficas, terão nosso apoio. Caso contrário, vamos defender os interesses exclusivos da cidade. Chega de falarem por nós. Nosso grupo agora vai ser ouvido por inteiro”, disse o vereador Eliseu Xavier (PTB).

Ele é um dos integrantes desse grupo de revoltosos que conta também com os vereadores Pãozinho (PV), Marilene Torres (PRP), Pastor Paulino (PPS), Renato Ti-Rei (PSDC), Adélio Carlos (PDT), Klebinho Rezende (PTB), Léo Contador (DEM), Dimas do Caxias (Pros), Joaquim Bracinho (PP), Ernane da Regional (PR) e Carlin Amigão (DEM).

Para Pãozinho (PV), “há desrespeito na relação entre a prefeitura e a Câmara”. Segundo ele, “o grupo de parlamentares não quer mais ser responsabilizado pelo caos administrativo que ronda Betim”, salientou o parlamentar.

A crise envolve membros da base aliada, ex-secretários municipais e até mesmo vereadores que ainda são beneficiados pela atual gestão, como é o caso dos vereadores Klebinho Rezende e Eliseu Xavier, ambos do PTB.

Blocão

O grupo, segundo explicam os vereadores revoltosos que procuraram a reportagem na tarde da última quinta-feira (2), também tem como objetivo diminuir a influência do presidente da Casa, Marcão Universal (PSDB), nas decisões do Legislativo.

Para Marilene (PRP), a expectativa é que o grupo reúna até 15 vereadores. Esse grupo ainda imagina contar com a participação de Vinícius Resende (SD), que já manifestou claramente sua contrariedade às políticas de governo que vêm sendo adotadas pelo prefeito e por seu secretariado.

“Temos que reagir. A cidade passa por sérios problemas e nós, representantes do povo, não estamos sendo ouvidos. Por outro lado, não nomeamos nenhum interlocutor para discutir os projetos em nossos nomes sobre esses mesmos projetos. O grupo reconhece o peso e a importância de cada vereador. Cada um tem um voto, e esse voto é importante”, argumenta a vereadora do PRP. Pãozinho também defendeu a independência do legislativo. “Tenho falado que a Câmara precisa reagir. Somos vereadores eleitos e temos que representar quem nos elegeu. Infelizmente, coisas erradas estão acontecendo”, disse.

Versão

Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara de Vereadores, Marcão Universal (PSDB), rechaçou qualquer possibilidade de rompimento entre integrantes do grupo que hoje ele domina.

“O que aconteceu na terça-feira (30) foi um caso isolado do vereador Pãozinho (PV), que teve um pequeno atrito com a administração municipal. Alguns vereadores se solidarizaram com ele e deixaram a Câmara. Isso é um direito dos vereadores, além de fazer parte da democracia”, disse Marcão.
Ainda de acordo com ele, a articulação dos vereadores não deve atrapalhar o governo nem sua condição de presidente da Casa. “Não acredito que isso aconteça porque os vereadores estão trabalhando em prol de Betim”, finalizou.

“Eu sou o presidente mais democrático que esta Casa já teve. Todos os projetos passam pelas comissões da Câmara. Só em último caso, muito raramente, que os projetos são votados em caráter de urgência. Isso acontecia antigamente, mas hoje, não”, acrescentou.

Fogueira

Outro motivo que teria ocasionado o rompimento da base aliada e uma reunião secreta entre vereadores da base descontentes foi a possibilidade de o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) retornar com Dannier Copertine para a presidência da Fundação Artístico-Cultural de Betim (Funarbe), mesmo depois de ele ter sido exonerado no mês passado.

O ex-presidente, demitido por Carlaile após pressão dos vereadores, é tido como “inimigo”. “Se o prefeito fizer isso, ele estará alimentando muitas inimizades”, disse um dos revoltosos.

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