O relato do auxiliar administrativo sobre a violência sofrida gerou grande repercussão nas redes sociais e até um comentário de que é comum casais gays serem abordados por grupos religiosos em Betim. A estudante de arquitetura Fernanda Gomes, 20, diz que já passou por uma situação dessas, mas sem agressão física.
Há dois anos, ela conta que estava com a ex-namorada em um ponto de ônibus, quando seis homens se aproximaram e começaram a condenar a união das duas. “Eles diziam que nosso namoro não era de Deus e ficavam falando partes da Bíblia”, relatou. Fernanda lembra que o grupo acompanhou as duas durante todo o trajeto no transporte coletivo, orando ao lado delas. “Encarei isso como uma falta de conhecimento. Mas minha ex-namorada ficou bem nervosa”.
A 4ª Delegacia de Polícia de Betim informou não ter outros registros de homofobia ou perseguição religiosa contra homossexuais.
Já o doutor em ciência da religião Paulo Agostinho acredita que tem crescido no país o fundamentalismo religioso, que interpreta o texto sagrado sem levar em conta o contexto histórico.
“Em nome do fundamentalismo, essas pessoas têm a certeza de dizer que estão com a verdade e discriminam o que não acham certo. Essas pessoas passam por cima do mais importante da pregação religiosa, que é amar aos outros”.