O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Betim, que mede a qualidade de vida da população, cresceu nos últimos dez anos. É o que constatou o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP), com dados colhidos em 2000 e 2010.
De acordo com o levantamento, o IDHM da cidade em 2010 foi 0,749, considerado alto (na faixa entre 0,700 e 0,799). O índice é superior ao registrado em 2000, quando foi apurado o índice de 0,612. Já em 1990, o índice era 0,450. Quanto mais próximo o índice for de 1, melhor é a qualidade de vida da população. Entre 2000 e 2010, o IDHM da cidade cresceu 12,23%. Com isso, Betim ocupa a 562ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros segundo o IDHM. Nesse ranking, o maior IDHM é 0,862 (São Caetano do Sul, em São Paulo), e o menor é 0,418 (Melgaço, no Pará).
O IDHM leva em consideração a expectativa de vida, a renda e a educação. Ainda segundo o estudo, o que mais contribuiu para o município foi a longevidade (expectativa de vida), com índice de 0,864 (muito alto). Em segundo lugar ficou a renda (0,709). Dos três itens, a educação foi o que apresentou o pior resultado: 0,687.
Para a realização do estudo, a cidade foi dividida em 59 microrregiões para análises. Apesar do crescimento, o IDHM apresenta diferenças evidentes na cidade. Um exemplo foi que a região que apresentou o mais alto IDHM foi o centro, além de partes do Alterosas e do Espírito Santo: 0,880. Na outra ponta, a microrregião que apresentou o menor índice foi a Vila Nova: Citrolândia / Sanatório Santa Isabel, com 0,641.
A divisão das áreas pesquisadas não levou em conta o limite territorial dos bairros, mas, sim, as características diferentes que há entre eles. “Um mesmo bairro pode ter sido dividido em duas áreas que apresentaram diferentes índices, mas essa foi a melhor maneira encontrada para se aproximar ao máximo da realidade. Temos bairros com grandes diferenças”, explicou Priscila Pereira, da Fundação João Pinheiro.
Exemplos disso são os bairros Jardim Casa Branca, Cidade Verde, Alterosas, Filadélfia, Bandeirinhas, dentre outros, que apresentaram IDHMs diferentes. De acordo com o pesquisador da FJP que participou da pesquisa, Fernando Prates, o estudo mostrou um avanço nos últimos anos. “Avançou-se muito na qualidade de vida das pessoas, mas muito ainda precisa ser feito”, disse.
Ainda segundo ele, o estudo é uma fonte para que o poder público possa também traçar políticas públicas que visam melhorar a qualidade de vida da população. “O levantamento mostra melhor as características das regiões do município. Antes, o IDHM era medido por região de tamanho maior e não apresentava em detalhes as peculiaridades de cada microárea. Então, se tinha um índice menos detalhista. Agora, não, o Atlas do Desenvolvimento Humano se aproximou mais da realidade de cada ponto das cidades, podendo perceber as desigualdades internas”, explicou.
Longevidade
A longevidade foi o principal fator para que o IDHM de Betim apresentasse crescimento nos últimos dez anos. A mortalidade infantil (mortalidade de crianças com menos de 1 ano de idade) no município passou de 23,6 por mil nascidos vivos, em 2000, para 12,7 por mil nascidos vivos, em 2010. Em 1991, a taxa era de 38,3. “A esperança de vida ao nascer é o indicador utilizado para compor a dimensão Longevidade do IDHM. Na cidade, a esperança de vida ao nascer cresceu 5,1 anos na última década, passando de 71,8 anos, em 2000, para 76,8 anos, em 2010. Em 1991, era de 65,8 anos”, apontou o estudo.
Outro ponto constatado pelo Atlas de Desenvolvimento Humano foi em relação à renda. Segundo o estudo, a renda per capita média de Betim cresceu 109,87% nas últimas duas décadas, passando de R$ 314,74, em 1991, para R$ 412,88, em 2000, e para R$ 660,56, em 2010. A proporção de pessoas pobres, ou seja, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 (segundo dados de agosto de 2010), passou de 36,49%, em 1991, para 22,52%, em 2000. Já em 2010, esse índice era de 7,04%.
Numa escala de 0 a 1, o Índice de Gini (que mede a concentração de renda) da cidade ficou em 0,47 em 2010, índice inferior ao registrado em 2000, quando foi de 0,50. Quanto mais próximo de zero, maior é a igualdade de renda entre a população.
Educação
Apesar de ter apresentado o menor IDHM do município (0,687), a educação também mostrou avanços na última década. Proporcões de crianças e jovens frequentando ou tendo completado determinados ciclos indica que o tempo de estudo aumentou. Em Betim, a proporção de crianças de 5 a 6 anos na escola de 92,34% em 2010. No mesmo ano, a proporção de crianças de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental era de 90,19%. Já a proporção de jovens de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo foi de 68,48%; e a proporção de jovens de 18 a 20 anos com ensino médio completo foi de 46,49%. Em comparação com 1991, todos os índices apresentaram elevação.
“Os números estão melhores tanto para os locais em que o índice era mais alto quanto para onde ele era mais baixo”, afirmou Fernando Prates.
Diferenças ainda são extremas no município
A divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) constatou também as diferenças entre as regiões de Betim. Apesar de ser a segunda cidade mais rica do Estado, o município ainda apresenta discrepâncias nas diferentes regiões pesquisadas. Enquanto algumas áreas têm infraestrutura e acesso a serviços públicos de melhor qualidade, outras, principalmente na periferia da cidade, convivem ainda com a urgente necessidade de investimentos do poder públicos para melhorar a qualidade de vida da população.
O centro e algumas partes do Alterosas e do Espírito Santo apresentaram o melhor resultado, com IDHM de 0,880. Nestas áreas, foram constatadas as melhores condições de vida das pessoas na cidade, como a longevidade (0,896), a renda (0,921) e a educação (0,825).
Já a região que apresentou o menor IDHM da cidade fica no Citrolândia, nos bairros Vila Nova e Santa Isabel. O índice constatado foi 0,641, considerado médio na escala de 0 a 1. O número foi resultado das menores taxas de longevidade (0,619), renda (0,740) e educação (0,575).
Para se ter uma ideia da discrepância de resultados, a renda per capita da região Central apurada na pesquisa foi de R$ 2.113,42, enquanto na região com menor IDHM foi de apenas R$ 346,43, uma diferença de 83%. Este número é quase a metade da média do município (R$ 660,56).
Outra diferença visível é em relação à longevidade. Enquanto na área que lidera o IDHM na cidade a expectativa de vida dos moradores bate nos 80,3 anos, na região do Citrolândia, esse índice é de 69,4 anos. “Dentro de uma cidade, as diferenças são enorme. Por isso é importante que se realizem políticas públicas para diminuir esses extremos”, disse o pesquisador Fernando Prates, da Fundação João Pinheiro.
A aposentada Iara Amaral mora no centro há mais de 30 anos. Segundo ela, a área é privilegiada. “Aqui se tem de tudo: comércio, bancos, infraestrutura, por exemplo. Mesmo assim, acho que poderia ser melhor, como no trânsito, que é caótico”, disse.
Já a funcionária pública Antônia do Carmo afirmou que quem mora no centro tende a ter mesmo mais qualidade de vida. “É o lugar que recebeu mais investimentos, por ser um das principais áreas da cidade, como para a geração de empregos. Mas, nem por isso, se devem esquecer os bairros da periferia”, salientou.
Apesar da melhora na última década, os moradores das regiões com menor IDHM cobram mais investimentos do poder público. “Ainda temos uma infraestrutura precária. Eu moro em uma rua sem asfalto, apesar de nossas reivindicações. Isso é ruim, pois traz muitos transtornos”, contou o encarregado de obras Jaime Pereira, morador da região do Citrolândia.
A doméstica Elisabeth Gonçalves mora no mesmo local. Ela tem uma filha e uma neta deficientes. “A minha filha já está com as mãos machucadas, porque tem que fazer muita força para andar aqui na rua, que não tem asfalto. O governo tinha que investir mais em locais onde a carência é maior”, disse.