Nova "dança das cadeiras" desestabiliza governo

Com os mais baixos índices de popularidade desde a sua posse, de acordo com pesquisas de opinião pública realizadas recentemente, e diante de uma crise administrativa que impede realizações de obras e serviços para a população, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) deve realizar, em menos de dois anos, a sua quarta reforma administrativa.

Desta vez, o prefeito imagina tirar secretários, abrigando em seus lugares tucanos de fora de Betim, e também outros funcionários de primeiro escalão da prefeitura para tentar se esquivar de sérias denúncias de irregularidades.

A Secretaria Municipal de Saúde, por exemplo, deverá ter a sua cúpula totalmente substituída. Informações do gabinete do prefeito dão conta de que o secretário Mauro Reis irá deixar o posto que ocupa hoje e ceder espaço para o médico Rasível dos Reis Santos Júnior, que, até o mês passado, ocupava cargo de confiança na administração estadual. Reis, se aceitar, será encaminhado para a Secretaria de Gabinete.

O secretário adjunto de Saúde, Júnio Araújo, também deve sair. Mas, neste acaso, a motivação não seria a de abrir vagas para tucanos “importados”, mas a preservação da imagem da prefeitura, envolta em problemas relacionados com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep).

O prefeito e seu irmão Ciro Pedrosa que participa de todas as reuniões para definir quem entra e quem sai do governo municipal, estariam pensando em escalar Vânia Alves Esteves – que já foi nomeada e demitida em vários cargos durante o governo de Carlaile Pedrosa – para o cargo de secretária adjunta de Saúde. Já o auditor do município, Davson do Prado, nomeado após o rompimento dos C4 (grupo formado por Carlaile e pelos irmãos Cleide, Ciro e Cleanto Pedrosa) com o vice-prefeito Waldir Teixeira (PV), chegou a manifestar o seu descontentamento com o governo. O seu “pessimismo” teria sido o motivo para o prefeito adiantar a sua saída da administração municipal.

Outro espaço a ser “liberado” para cumprir acordos com o PSDB estadual seria o cargo de superintendente municipal Antidrogas. O atual superintendente, o suplente de vereador Aerty de Jesus, seria substituído por Clóvis Benevides, outro tucano que ficou desempregado com a derrota de Pimeita da Veiga (PSDB) para governador de Minas.

Já a atual secretária de Comunicação, Daniele Marzano, será substituída pelo jornalista Hugo Teixeira, que, até o mês passado, trabalhava para a campanha do PSDB em Minas Gerais. Teixeira ocupou cargos de confiança nas gestões de Aécio Neves e Antonio Anastasia. Ele também é mais um “funcionário tucano” que ficou sem emprego com a vitória do petista Fernando Pimentel nas últimas eleições.

Para honrar compromissos assumidos com a Câmara, os C4 ainda devem nomear para a presidência da Fundação Artístico-Cultural de Betim (Funarbe) a ex-assessora do vereador Pãozinho (PV) Márcia Dutra de Jesus. Clélia Horta, que hoje cuida interinamente da Funarbe, assumirá a procuradoria geral do município.

Extinções

Já as superintendências de Juventude, Antidrogas e de Trabalho devem ser extintas, através da reforma administrativa que está sendo elaborada e que deve ser colocada em prática a partir de janeiro do ano que vem.

Com as mudanças, que precisam passar pela aprovação da Câmara de Vereadores, os superintendentes atuais devem ser nomeados como assessores do gabinete do prefeito. Carlaile Pedrosa também cogita trocar o presidente do Instituto de Previdência Municipal de Betim (Ipremb), Evandro Fonseca, que teria se desgastado com a atual gestão por tomar medidas sem o aval dos C4.

Demitidos ganham "prêmio" de consolo

A atual administração municipal vai entrar para a história de Betim como uma das mais instáveis de todos os tempos. Desde a posse do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), em janeiro de 2013, mais de 20 secretários já caíram ou mudaram de função.

Porém, apesar do troca-troca incessante, os mesmos secretários ou funcionários de primeiro escalão dispensados por motivos de incompatibilidade com a função ou por causa de denúncias de irregularidades acabam sendo novamente absorvidos pela administração, recebendo como “prêmios de consolos” os famosos cargos de livre nomeação.

Este é o caso do ex-presidente da Fundação Artístico-Cultural de Betim (Funarbe) Dannier Copertine. Depois do rompimento com o seu vice, Waldir Teixeira (PV), Carlaile Pedrosa demitiu Osvander Valadão da presidência da Funarbe. O lugar que era dele foi ocupado por Dannier, que, posteriormente, foi demitido sem direito a defesa, após pressão de vereadores que apontaram irregularidades em seu período à frente da entidade.

Copertine, no entanto, tão logo deixou o cargo de presidente da Funarbe, passou a ocupar a função de assessor III no gabinete do próprio prefeito Carlaile Pedrosa, sem saber direito quais seriam os serviços que deveria prestar à municipalidade.

Outro caso é o do ex-secretário de Governo Geraldo Magela, o Dinho. Ele deixou o cargo de secretário e foi imediatamente contratado como assessor. Hoje, ele ocupa a vaga de Superintendente da Infância, mas, assim como Dannier, não tem funções claras na administração municipal.

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, o prefeito, mais uma vez, pensa em preservar cargos sem funções específicas para os altos funcionários que podem perder seus postos nos próximos dias.

Para o vice-prefeito de Betim, Waldir Teixeira, “a forma de administrar a cidade é temerária”. “Percebemos que não há o mínimo de planejamento. Demitem-se e se contratam pessoas sem dar a elas as diretrizes elementares para um governo funcionar. Em time que se mexe demais acaba caindo para a ‘segunda divisão’”, criticou Teixeira.

Os “prêmios de consolo” se estendem também para o segundo escalão. Pessoas que perderam cargos de assessoria acabaram sendo contratadas por ONGs ou cooperativas ligadas à prefeitura.

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