Enquanto o município irá gastar R$ 51,7 milhões para manter a mordomia dos 23 vereadores de Betim, as sessões de terça-feira, quando acontecem, não são nada produtivas. Para se ter uma ideia, o tema principal das duas últimas reuniões, por exemplo, foram discussões sobre a concessão de títulos de Cidadania Honorária.
O vereador Marcão Universal (PSDB), presidente da Casa, levou quase uma semana articulando com outros aliados o veto de um título de Cidadão Honorário para o líder comunitário Ronievon Fonseca.
O representante do governo na Câmara, vereador Eliseu Xavier (PTB), defendeu o veto, dizendo que Neguinho, como é conhecido o líder comunitário, não merecia o título “porque ele havia criticado os vereadores em redes sociais”.
“Ele disse que os vereadores de Betim roubam e não fazem nada. Não podemos aceitar. Por isso, não votarei para que o título seja dado a ele”, disse o vereador.
Eliseu, ironicamente, responde à Justiça por corrupção eleitoral e por usar da prática conhecida como “Rachid”, quando os vereadores exigem de um funcionário nomeado parte de seu salário. O caso corre em segredo de Justiça e pode ter um desfecho nos primeiros meses de 2015.
Falta de decoro
Nesta semana, Marcão Universal expôs novamente opinião sobre o que a maior parte dos vereadores de Betim vem fazendo através de seus mandatos: “Sacanagem”. Em seu discurso, Marcão assumiu que estava fazendo uma “sacanagem” com a Casa e, indiretamente, com a população que depositou a confiança nele, o que pode até levá-lo a responder a um processo de quebra de decoro parlamentar. Porém, para isso acontecer, a Casa teria que levar a sério as regras que constam no manual de conduta dos vereadores.
“Este projeto só vai à votação se vossas excelências assinarem (vereadores). Se não, eu vou retirar esse projeto. Eu nem conheço esse cidadão. Eu fiz isso de sacanagem”, disse o presidente da Casa ao colocar em votação o projeto que concederia título de Cidadania Honorária ao deputado federal eleito Marcelo Aro (PHS). Assista ao vídeo (clique aqui).