Falta de materiais básicos e remédios gera crise em UAI

A saúde de Betim, que, em dezembro de 2012, segundo pesquisa realizada pelo Instituto DataTempo/CP2, era o principal problema da cidade para 70,2% dos entrevistados, continua pedindo socorro. Na última semana, a falta de materiais básicos de trabalho, remédios, técnicos em enfermagem e pediatras gerou uma crise na Unidade Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro.

Após denúncias, a reportagem esteve no local na segunda-feira (13) à noite e flagrou dezenas de pacientes à espera de atendimento. Esse era o caso de Diméia da Silva Nogueira, mãe de um garoto de 1 ano e 10 meses que, devido a uma infecção urinária, apresentava febre e vômito.

“Estou desde as 8h rodando as unidades de saúde de Betim à procura de atendimento para o meu filho. Na UAI Sete, eu cheguei por volta das 19h. Não sei mais o que fazer. A recepcionista me falou que a previsão de atendimento é para as 2h”, disse Diméia.

Cansada da maratona, ela desistiu de esperar e voltou para casa com o garoto sem o atendimento. “Irei automedicá-lo. Estou aqui de carona. Meu irmão que me trouxe de carro. Essa é uma situação vergonhosa. Infelizmente, não tenho condições financeiras para arcar com um plano de saúde”, se queixou Diméia, que está desempregada.

Um homem, que preferiu não ser identificado, contou que uma mulher que chegou à UAI com a pressão arterial elevada teve que ser socorrida por populares. “A senhora estava no carro, esperando ser chamada para a triagem, quando se sentiu mal. Familiares dela começaram a gritar por socorro. Algumas pessoas tiveram que massageá-la até o atendimento ser feito na UAI”, disse.

Pouco mais de 12 horas depois desses registros, já na terça-feira (14), a reportagem voltou ao local e constatou que a situação persistia. Desta vez, além do déficit de auxiliares de enfermagem, funcionários reclamaram da falta de medicamentos e, novamente, de materiais básicos de trabalho.

Segundo denúncias, faltam: Cetoprofeno –, anti-inflamatório e analgésico indicado para casos de dor, tratamento ortopédico, dentre outros; Tiamina –, vitamina importante para o bom funcionamento do sistema nervoso, dos músculos e do coração; Captopril – medicamento indicado para o tratamento da hipertensão e de insuficiência cardíaca; cateter “three way” de silicone, usado para preparar o paciente para procedimentos cirúrgicos; seringas de 3 ml, 5 ml, 10 ml e 20 ml; cateter intravenoso Jelco; e até esparadrapo.

“A situação está insustentável. Sempre falta alguma coisa. As equipes de trabalho estão desmotivadas. Não tem medicamentos nem técnicos em enfermagem”, disse uma funcionária que pediu anonimato.

Resposta
A assessoria de imprensa da prefeitura negou que tenha ocorrido a falta de pediatras e técnicos em enfermagem na UAI Sete nesta semana. O Executivo ressaltou, ainda, que a demanda estava acima da normalidade em decorrência da procura de pacientes de outras cidades próximas a Betim e, também, devido ao calor e à longa estiagem, que ocasionam problemas respiratórios e gastrointestinais.

Com relação aos medicamentos, a prefeitura garantiu que os fornecimentos serão normalizados em, no máximo, 30 dias. “As seringas não estão em falta, e o esparadrapo foi substituído pelo micropore 3M temporariamente”, completou.

UAI Guanabara também superlotou
Pacientes que foram à Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Guanabara na manhã de quinta-feira (16) também enfrentaram demora no atendimento.

Jeremias Neves, 27, contou à reportagem que esperava atendimento para a sua esposa, Jélia Silva, 22, que suspeitava estar com dengue, há mais de duas horas. “Faltam médicos, e os funcionários não têm previsão de quando minha esposa será atendida. Infelizmente, o que o prefeito prometeu para a saúde ficou só no papel. É preciso mais investimentos. Essa superlotação já é comum no município”.

A dona de casa Maria Célia da Silva Araújo, 62, também enfrentou problemas. “Meu marido está com a pressão alta e muita dor nas pernas. Mas não há previsão para atendimento”.
A prefeitura informou que a superlotação na unidade vem ocorrendo nos últimos dois dias em decorrência do clima e do período de estiagem prolongada.

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.


Código de segurança
Atualizar

transparente