O município de Betim, a segunda maior arrecadação do estado de Minas Gerais, está há quatro dias sem prefeito e essa situação deve permanecer por mais alguns dias. Isso porque Carlaile Pedrosa, após as eleições presidenciais, resolveu tirar alguns dias de descanso, mas não colocou ninguém em seu lugar e também não informou à Câmara Municipal nem ao seu vice, Waldir Teixeira, sobre a sua saída.
O inusitado nesta história é que os secretários municipais estão respondendo diretamente às ordens do irmão do prefeito, o ex-deputado federal e empreiteiro Ciro Pedrosa. Mesmo sem ocupar cargo algum na prefeitura, é ele quem toma as decisões e diz o que deve e o que não deve ser feito na administração.
Ciro também tem sido o responsável pela articulação política do governo municipal com a Câmara de Vereadores. Na tarde da última quinta-feira, 30, o irmão do prefeito, acompanhado da secretária de Governo, Zizi Soares, participou de uma reunião na sala da presidência da Casa para destravar a pauta de votação com sua base de sustentação, que havia se rebelado alegando falta de diálogo com o secretariado da prefeitura.
O destravamento da pauta de votação não foi o único assunto discutido entre Ciro e os vereadores. De acordo com o líder do governo, vereador Eliseu Xavier, a base pediu ao irmão do prefeito que a atual secretaria de Governo tenha mais autonomia e discuta as questões políticas relevantes para o município.
“Sabemos que o Ciro não é da prefeitura, mas, como Carlaile está viajando, ele, que é irmão de Carlaile, foi até a Câmara conversar para saber nosso sentimento sobre a forma como o governo está sendo conduzido. Existe uma insatisfação muito grande dos parlamentares com o secretariado da prefeitura, que, simplesmente, não dialoga”, disse Eliseu.
O presidente da Câmara, Marcão Universal, disse que preferiu não participar, apesar de a reunião ter ocorrido na sala anexa à dele. “Assim que Ciro chegou lá, eu fui embora. Não entrei na discussão. Interesso-me apenas por assuntos da Câmara. Assuntos de vereadores com o Executivo não são do meu interesse. Não quero nem saber. Se vocês querem descobrir alguma coisa, devem perguntar à Marilene, Eliseu e ao Pãozinho (vereadores que teriam se rebelado contra o governo)”.
Oposição critica
A oposição ao prefeito criticou o fato do empreiteiro despachar no lugar de seu irmão. Para o vereador Antônio Carlos, que não foi convidado para a reunião, “essa interferência não é boa para a independência dos poderes Executivo e Legislativo”. “Mostra que os interesses pessoais estão acima dos políticos. Não é uma ação construtiva para a cidade, pois tira do campo político, que é o que deve prevalecer”, criticou.
Eutair dos Santos concordou: “Essa interferência externa demonstra que Carlaile perdeu o controle da relação com a Câmara, pois há uma secretaria própria para fazer isso”, argumentou.
Justificativa
A Prefeitura de Betim informou que a ausência de Carlaile Pedrosa - de apenas quatro dias - não exige a comunicação formal à Câmara Municipal. De acordo com o artigo 71, inciso 10 da Lei Orgânica, a formalização só é necessária quando o período de afastamento do prefeito for superior a 15 dias. Contudo, o órgão nada falou sobre a interferência de Ciro na gestão municipal.