Betim cai em ranking de investimentos, diz estudo

Apesar de ser a segunda economia do Estado, ficando atrás apenas de Belo Horizonte na arrecadação, e abrigar grandes indústrias como a Petrobras e a Fiat, Betim não é um dos lugares que mais têm atraído grandes investimentos para diversificar sua economia. Isso ficou constatado em um levantamento feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que faz um estudo anualmente sobre o desenvolvimento socieconômico dos municípios, retratando as áreas segundo emprego e renda, educação, saúde e investimentos.

Segundo a pesquisa, que teve como ano-base 2011, Betim é a 357ª cidade do país a atrair investidores e apenas a 37ª do Estado. O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) foi de 0,7974. Quanto mais próximo o índice está de 1, mais bem-avaliada é a cidade. Em relação a 2010, a cidade caiu 31 posições no ranking nacional (era a 326ª) e sete no ranking estadual (era a 30ª).

Já no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), que avalia, dentre outras áreas, a capacidade de investimento da cidade, Betim ficou na 1.527ª posição no ranking nacional e na 292ª no estadual, avaliada com a nota 0,5947, recebendo apenas conceito C (a faixa vai de A a D).

Nos últimos anos, a cidade perdeu importantes investimentos. A perda do polo acrílico da Petrobras, as idas de investimentos da Fiat para Pernambuco e do centro de distribuição da Casas Bahia para Contagem são alguns exemplos. Além disso, a última grande empresa a se instalar na cidade foi a Toshiba, no Distrito Industrial da BR–262, há mais de um ano.

O economista da Firjan Jonathas Goulart, especializado em desenvolvimento econômico e estatística, revela que a solução para Betim só virá a longo prazo. “Desde 2005, quando a pesquisa foi iniciada, o município passou por oscilações, sendo que, na última análise, apresentou queda, tanto, no ranking estadual quanto no nacional. Investir em infraestrutura é fator de atração de novas empresas. Mas a receita de Betim é engessada por um gasto com pessoal que consome praticamente a metade do seu orçamento. Com esse problema de liquidez, a cidade não terá condições de reverter esse quadro em poucos anos”, avalia.
Ainda segundo ele, mudanças precisam ser feitas. “Não sabemos por que o município tem perdido a capacidade de atração de novas empresas, mas os números revelam que algo precisa ser feito”, ponderou.

Resposta

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico informou que tem buscado desburocratizar os processos de abertura de empresas, com a implantação da Nota Fiscal Eletrônica e do Alvará Eletrônico. “Quanto aos distritos industriais, é importante salientar que aqueles que são municipais (não privados) já possuem toda a sua área comprometida para a instalação de empresas. No Distrito Industrial do Bandeirinhas, existe, hoje, um processo de implantação de 46 novas empresas”, informou.

Ainda segundo a nota, “o município manteve contato com as duas maiores empresas da cidade, Petrobras e Fiat, e ambas confirmaram que já iniciaram processo de ampliação, o que vai refletir diretamente em toda a cadeia produtiva das mesmas no município”.

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