Batalhão da PM terá novo comandante

ot21-02b 1O 33° Batalhão da Polícia Militar (PM),terá nova troca de comando nesta sexta – a sexta dos últimos três anos. Após apenas seis meses de trabalho, o tenente-coronel Cícero Cunha deixa o posto. Para alguns militares, o troca-troca causa dificuldades no combate ao crime na cidade, onde, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), houve aumento de aproximadamente mil ocorrências de crimes violentos entre 2012 e 2013.

Cunha deixa a função porque foi promovido a coronel e se muda para Unaí, no Noroeste do Estado, onde vai assumir a 16ª Região da PM. Em seu lugar, será empossado o tenente-coronel Jair Antônio Pontes Neto, 49 (veja entrevista ao lado). Para os militares, a frequente mudança de comando dificulta a realização do trabalho efetivo no combate aos crimes.

“É muito difícil conhecer a realidade da criminalidade do município em seis meses. Um plano de ação para combater a violência não é feito da noite para o dia. É preciso planejamento e bom relacionamento com os demais órgãos de segurança da cidade”, afirma um policial militar que preferiu não ser identificado.

A tropa está desmotivada, segundo outro militar, que também solicitou o anonimato. “Apesar de a corporação ter normas gerais para o combate à violência no Estado, o gerenciamento de um batalhão é de responsabilidade do comandante. E cada um que chega ao município pensa de uma forma. Todo o planejamento que foi executado por um tenente-coronel é deixado de lado pelo novo chefe do batalhão”, ressalta.

Debate. Sociólogo e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio pondera que o problema da segurança pública vai além das questões estruturais da polícia, mas ressalta que esse troca-troca de comando pode interferir no aumento da criminalidade do município. “A atividade policial demanda a execução de diagnósticos e de planejamentos. Quanto mais isso é mudado, paralisado ou sofre interferências ao longo do tempo, menos as ações têm continuidade, e isso afeta a segurança pública”, explica o especialista.

Cunha discorda. “O comandante nada mais é que o organizador de uma grande equipe, que já está montada. Se, com a chegada do novo comandante à cidade, viesse uma nova equipe, aí, sim, tudo começaria do zero. A gente só vem para continuar um processo que já foi executado por outro. A única coisa que a mudança exige é um momento de adaptação, mas esse prazo é muito curto. Além disso, um comandante não chega ‘cru’. Ele já tem anos de experiência na profissão”, argumenta.

Comandante da assessoria de imprensa da PM, o tenente-coronel Alberto Luiz explica que essas trocas são naturais e que, como na maioria das vezes ocorrem devido a promoções ou aposentadorias dentro da corporação, são necessárias para o curso das carreiras. “É difícil falar em algum transtorno que isso possa causar. O trabalho que um comandante iniciou precisará ser continuado pelo que virá. A expectativa é que dessa continuidade ocorram inclusive outras propostas em favor da segurança da população de Betim, e não o contrário”, esclarece.

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.


Código de segurança
Atualizar

transparente