Após assembleia, médicos de UAIs decidem paralisar

Médicos das Unidades de Atendimento Imediato (UAI) dos bairros Alterosas e Guanabara anunciaram que vão paralisar o atendimento, por 24 horas, nos dias 6 e 10 de fevereiro, respectivamente. A Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Dom Bosco também será prejudicada no dia 6. Apenas os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, conforme estabelece a legislação.

A decisão foi confirmada pelos trabalhadores a reportagem na noite da última quinta-feira (29), após assembleia realizada pela categoria na sede do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG). Na ocasião, ficou acertado que uma nova reunião será realizada no próximo dia 23, quando novas paralisações podem ser definidas caso a prefeitura não inicie um diálogo com a categoria.

Dentre os problemas relatados pelos profissionais nas unidades destacam-se a redução no número de profissionais, impactando diretamente o atendimento; a falta de estrutura, de medicamentos e de segurança; a sobrecarga de trabalho; além da dificuldade para transferir pacientes. “Protocolamos uma pauta de reivindicações na prefeitura no dia 20 de janeiro, e, até hoje (dia 29), o secretário de Saúde não se pronunciou. A secretária dele apenas ligou no sindicato avisando que havia um interesse por parte do Executivo em se reunir com a categoria, mas eles não deram data e, por isso, optamos pelas paralisações, para forçar a negociação”, disse a presidente do Sinmed-MG, Amélia Pessôa.

Segundo ela, a expectativa é que, até esta segunda-feira (2), o sindicato envie um ofício ao prefeito Carlaile Pedrosa e ao secretário de Saúde, Rasível dos Reis, para que eles esclareçam o motivo das reduções de médicos nas unidades de saúde de Betim. “Os cortes nas equipes estão ocorrendo de maneira arbitrária. Os médicos não sabem as causas tampouco são avisados sobre as decisões da prefeitura”, completou.

A categoria também exige melhores condições salariais. “Fizemos um levantamento e, em dezembro de 2014, o salário de um médico de Betim correspondia a 60% do de um mesmo profissional da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que hoje é de aproximadamente R$ 5.000. Isso é uma falta de respeito com a categoria”, disse o vereador Vinícius Resende.

Outro médico, que pediu anonimato, voltou a frisar que a redução no número de plantonistas vem ocorrendo há meses em Betim, só que “a situação vem se agravando”.

Resposta

Por meio de nota, a secretaria de Saúde informou que tem mantido permanente diálogo com o Sinmed e que encaminhou ao órgão, na quinta-feira (29), um parecer oficial sobre todas as reivindicações da categoria. “Por se tratar de serviço essencial à população, a secretaria ressalta que não vai poupar esforços para garantir que os betinenses permaneçam com acesso ao atendimento nas unidades de saúde e que aguardará a comunicação oficial da decisão acordada durante a reunião sindical”, completou.

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